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MAURICIO EUGENIO
presidente do Grupo Eugenio |
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Por Carlos Franco e Lucrécia Martini
Publicitário Maurício Eugênio, 40 anos, é o próprio retrato do Boom, imobiliário. Começou aos 12 anos, distribuindo folhetos de imóveis nos semáforos de São Paulo. Aos 17 já os criava numa agência de publicidade que atendia o setor. Aos 19, quando á empresa deixou de lado esse mercado, decidiu abrir à sua. Hoje. compra mais espaços em jornais, revistas, emissoras de rádio e TV que a famosa W/Brasil, de Washington Olivetto.
Eugênio, que cria as propagandas dás empresas Cyrela, Lindenberg e Lopes, entre outras, tem um estilo agressivo de trabalho num segmento movido a egos. Sua remuneração? É variável, conforme as vendas dos anunciantes. Ele conhece tanto o mercado e tem tanta convicção do que faz que decidiu, neste ano, expandir sua atuação com uma nova empresa, a Elite, Justamente para vender os imóveis. Com olhar de quem domina e vive do negócio imobiliário, Eugênio detecta hoje, em São Paulo, um certo equilíbrio entre à procura dos que podem comprar e a oferta no mercado. O crescimento do setor tem a ver, sobretudo, com a capitalização das incorporadoras, donas de muitos terrenos em estoque e, agora, com dinheiro para tocar as obras. a oferta de crédito é o combustível para as vendas tanto para os que trocam de imóvel como para os que adquirem o primeiro teto. Dados da associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança - Abecip - dão conta de que, em julho de 2008, foram l¡berados R$ 3,5 bilhões para a construção civil. Essa dinheirama financiou 17,8 mil unidades. Em sete meses o volume atingiu R$ 16,4 bilhões, financiando cerca de 164 mil imóveis. O valor considera apenas contratos realizados com recursos da poupança em todo o Brasil. Até dezembro. deve atingir mais de R$ 30 bilhões. Parece um montante alto, mas o brasileiro precisa de mais. O déficit habitacional no país, ainda é enorme: supera 8 milhões de moradias. Somos até hoje um pais de sem-tetos. O que explica o sucesso dos leiloes e feirões da Caixa Econômica Federal, que não atraem apenas famílias de baixa renda. Mas também as de classe média. Eugênio ressalta também que o brasileiro está mais exigente na escolha de imóveis faz sentido já que muitos ainda convivem com a lembrança daquelas 4,2 milhões de famílias vítimas da construtora Encol, que viram o sonho da casa própria virar pesadelo em 1997, apesar das promessas das 100 parcelas fixas e das chaves no final. Tanto é assim que não são poucos os que dão preferência a apartamentos prontos, evitando comprar na planta e abrindo mão da vantagem de escolher o andar e pagar mensalidades pequenas até a entrega do imóvel. |
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Em 2007 em São Paulo imóveis na planta de dois empreendimentos - um da Gafisa e outro da Camargo Correia Desenvolvimento Imobiliário – não foram até o final do modo previsto. Mas seus investidores, ainda assim, não precisaram enfrentar processos que arrastam na justiça, como os da Encol e foram prontamente indenizados. O Harmonia do Campo Belo era para ser um em. Empreendimento residencial de alto padrão. Acabou se transformando no Vison, com unidades mais acanhadas, devido à pouca procura por apartamentos amplos naquela região da zona sul paulistana. Os compradores do projeto inicial receberam seu dinheiro de volta tal e qual se deu com os investidores no Residencial Portinari que a Camargo Correia Desenvolvimento Imobiliário lançou, também em 2008 no bairro do Brooklin. Com 78 apartamentos de quatro dormitórios, entre 110 e 222 metros quadrados cada um e a preços entre R$ 660 mil e R$ 1.1 milhão, o empreendimento não saiu do papel. Esses dois episódios diferem em gênero e grau dos calotes da Encol pelo país afora. Se o segundo se tratou de um golpe, o primeiro não foi mais do que um erro de cálculo em relação à disposição do mercado.
Mas como fugir de micos eventuais e correr atrás das galinhas dos ovos de ouro no meio de um boom como o atual, em que imóveis são bens de preços em alta? A localização é o principal segredo. Especialmente porque os preços, com a maior oferta de crédito e por conta do persistente déficit habitacional, estão elevados. Mais do que bairros de uma grande cidade, é preciso olhar ao redor, em outros locais com mais qualidade de vida. Luís Paulo Pompéia, da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio - Embraesp -, companhia privada especializada em consultoria na área imobiliária que atua em todo o território nacional, enumera alguns endereços que surpreenderam em 2008. |
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A proximidade com a elegante região paulistana dos Jardins é determinante para a valorização de imóveis no paraíso. É o que informa a Embraesp, a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio. Por quê? Porque o nobre endereço de São Paulo, contiguo ao espigão da Avenida Paulista, está, simplesmente, saturado, A construtora Even fez o teste e vendeu todas as unidades do condomínio Arts Ibirapuera. O preço? R$ 8,5 mil a R$ 9 mil o metro quadrado, a depender do andar - e, é claro, da vista. Com praça de jabuticabeiras e pitangueiras, consultores apostam que se trata de um entre dezenas de exemplos de prováveis galinhas dos ovos de ouro no Paraíso - bairro que tem a prerrogativa de se estender, ladeira abaixo, até o parque do Ibirapuera. Essa obra terminará em dezembro de 2009. Cada uma das 22 unidades contém 310 metros quadrados de área útil.
Se o seu sonho de espaço a preços módicos e com boa perspectiva de valorização, talvez seja uma boa escolher investir em Rondonópolis. Por R$ 60 mil, nessa cidade do Mato Grosso, dá para comprar uma casa de dois a três dormitórios, com até 67 metros quadrados de área útil.
É o caso do condomínio Terra Nova Rondonópolis, erguido pela Rodobens. Ele traça bem o perfil do novo consumidor que já escolhe cidades que, historicamente, estiveram fora do roteiro investidor. Tem piscina, quadra e vôlei de areia, salões de festas... E, de quebra, o empreendimento oferece varias opções de fachada para o cliente escolher.
A perspectiva de valorlzação para os imóveis dessa cidade da Amazônia Legal Brasileira atende pelo nome de agronegócio. Sua expansão tem sido um dos motores do crescimento atual do pais. |
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A paulista e litorânea Santos é uma delas. Vive hoje um processo fortíssimo de aquecimento imobiliário, com cerca de 40 empreendimentos em andamento e um dado curioso: sua população está quase estagnada. Mas o futuro é para lá de promissor. Com 450 mil habitantes, a cidade não cresceu por anos. Uma parte da população segue vivendo em função do pólo industrial de Cubatão ou do porto, grande polarizador de desenvolvimento. Mas com a descoberta de petróleo e gás pela Petrobras, um contingente de funcionários com médios e altos salários deve ir para a região. São José dos Campos, Sorocaba, Campinas e Jundiaí são também localidades que, próximas a São Paulo, segundo avaliação da Embraesp, devem seguir se expandindo com loteamentos novos e de boa qualidade. Vizinho a Belo Horizonte e Nova Lima, em Minas Gerais, e Vitória, no Espírito Santo o município de Serra segue pelo mesmo caminho. Assim como o bairro continental da ilha de São Luis, no Maranhão. Além da busca pela qualidade de vida em locais onde os imóveis são mais em conta e por perspectiva de melhores empregos, as novas linhas de crédito e o estiramento de seus prazos em até 360 parcelas - três décadas - deixaram as prestações mais palatáveis aos bolsos e carteiras dos brasileiros. |
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Ao mesmo tempo, os dados da Embraesp revelam que o alto valor dos terrenos expulsa quem busca qualidade de vida em bairros novos. Milena Morales, gerente de pesquisas da consultoria Cushman & Wakefield, mapeia os preços de imóveis comerciais e residenciais, bem como de locação no Rio de Janeiro. Segundo ela, uma das poucas regiões com novos edifícios é a Barra da Tijuca, onde as unidades são rapidamente vendidas. Para imóveis classe A, a média de preço em locação é de R$ 58,80 o metro quadrado. Para Antonio Conde, da Conde Realtors, ¡mobiliária de São Paulo ligada a rede Secovi de Imóveis e filiada à National Association Reattors - NAR -, de Chicago, uma associação internacional com corretores de 27 países, há ainda outro fenômeno que se esboça atualmente. Quem tem imóvel nas regiões muito procuradas por jovens, como Jardins, Moema, Vila Olímpia e Itaim, pode vender muito bem e comprar unidades maiores e mais adequadas a uma família em outra região financiando a diferença entre os dois. Desse modo, estará ampliando o seu patrimônio. A agroindústria também dá seu empurrão ao mercado imobiliário. É o caso de Rondonópolis, em Mato Grosso, e das paulistas Ribeirão Preto, Marília, Bauru e São José do Rio Preto, todas em fase de expansão econômica e imobiliária. Já a beleza natural tem levado compradores para cidades como Florianópolis, Fortaleza e Natal. Mesmo com sua moeda desvalorizada em relação ao real, os argentinos são os mais assíduos clientes dos vendedores de ¡móveis no litoral catarinense, enquanto os europeus preferem o Nordeste. Nos últimos meses. O faro do corretor Eugênio detectou uma nova tendência: a do próprio brasileiro que está recomprando de europeus imóveis no litoral nordestino. |
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Há três anos, a brasiliense Rosângela Azevedo comprou por R$ 198 mil um apartamento de 101 metros quadrados, três quartos, uma suíte e dependências. Hoje, recusa ofertas de R$ 300 mil. Esse bom negócio ela fez numa quadra de Águas Claras, no condomínio da Praça do Pardal. O bairro fica entre as cidades-satélites de Guará e Taguatinga, no Distrito Federal.
Quando inaugurou o imóvel, a investidora pensou que estava morando em um canteiro de obras, diante do aumento de infra-estrutura em curso no local e do fato de que,ali, só existia mesmo o seu condomínio. Vieram metrô, shopping, supermercados e serviços –e eles fizeram a diferença. Hoje,considera o bairro “um paraíso” e comemora o usufruto de uma vista ampla desde a sua janela – o que a seu juízo, é coisa difícil em Brasília -,tendo desembolsado afinal, um montante compatível com sua renda. Brasília está em expansão, informa Embraesp. À medida que o seu governo amplia o metrô,se expandem os condomínios para moradia da classe média. Com exceção, é claro, da região do Plano Piloto - aquela desenhada com maestria pelo urbanista Lucio Costa e erguida sob a fina estética de Oscar Niemeyer. Ela foi devidamente tombada como patrimônio da humanidade. |
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| " Fonte: Revista Claudia Investidora - 25/10/2008 |
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