Clipping Elite Brasil

Não dá mais para ser vilão de novela.

Em uma reunião recente, conversando com alguns dos mais importantes incorporadores brasileiros, ouvi deles algumas reclamações, não pela primeira vez.
O tema era o de como o incorporador e o construtor, como resultado de um processo nefasto, são mal vistos e mal falados pela sociedade, pelos órgãos públicos e por grande parte dos formadores de opinião. "Tratam-nos como especuladores, como destruidores ambientais", dizia um deles, muito contrariado.

Não se trata, aqui, de buscar as raízes dessa percepção social sobre o trabalho realizado pelos incorporadores e construtores. Alguns episódios, temos de reconhecer, foram protagonizados por profissionais sem seriedade e chegaram a comprometer a imagem do setor, o que acontece em todos os ramos de atividade. Mas foram outros tempos. E não estamos mais neles.

É fato que a imagem não é boa. Além de serem penalizados com a burocracia, que limita, atrasa e dificulta os lançamentos, de sustentarem tributos elevados, construtores ainda se vêem retratados em novelas por protagonistas que são os vilões; em programas infantis, onde o "mau" é construtor – e até em propaganda política, onde certo partido afirma, como se isso demonstrasse que ele é o melhor, que "não recebe dinheiro da construção"!

Oras, convenhamos, é muita ignorância!

Essa visão é injusta e dicotômica. Injusta, pois são os incorporadores e construtores que, através de seus projetos e aliados aos agentes de crédito imobiliário, vão possibilitar que as camadas sociais que ficaram desassistidas nos últimos 20 anos, tenham acesso à casa própria (e morar em sua própria casa dignifica e eleva o homem).
E dicotômica, pois quando se fala em macro-economia é a construção civil que, cada vez mais, é citada como a grande alavanca do crescimento brasileiro. E quem é a construção civil, se não as grandes, pequenas e médias incorporadoras e construtoras? Quem são os líderes desse processo, senão os incorporadores e construtores?
Os incorporadores não são especuladores, são agentes do crescimento. E essa percepção precisa ser estendida à sociedade como um todo.

É preciso trabalhar muito para reverter essa imagem, que, pode-se dizer, já quase faz parte da cultura brasileira. Não adianta apenas reclamar, ou falar em pequenas reuniões, ou se comunicar com a sociedade através de suas áreas de RI (Relacionamento com o Investidor, setores das empresas que fizeram IPO e têm ações em bolsa). Nem imaginar que uma campanha publicitária resolverá o problema. Estamos diante de um dos grandes desafios de marketing desta indústria.

Pois é necessário um exercício de marketing profundo, sério e duradouro que envolva toda a cadeia da construção, não apenas as incorporadoras e construtoras. Além delas, há as imobiliárias, as agências de publicidade e comunicação, os fornecedores de materiais e máquinas - são centenas e centenas de milhares de pessoas envolvidas.
As empresas, e os incorporadores e construtores, precisam aprender a comunicar melhor suas ações, suas atitudes. É preciso mostrar a extensa atuação sócio-ambiental, social e educacional das incorporadoras e construtoras. Muitas delas atual socialmente, ajudando a alfabetizar, profissionalizar, preservar o meio ambiente. Afinal fazem parte de um mundo globalizado e dentro dele são agentes importantes do desenvolvimento social - mas precisam dizer isso à sociedade. E convencer a mídia - que também faz parte desse processo - a se abrir para esse ajuste de imagem.

Há muito para se evoluir, em todos os setores. É necessário atuar para diminuir a burocracia, tornar as ações de preservação ambiental mais ágeis e o relacionamento com o Ministério Público mais equilibrado. É necessário valorizar o incansável trabalho das nossas associações, inclusive o Secovi, e seus dedicados profissionais.
Quanto ao incorporador e o construtor, cabe a eles também evoluir na percepção de sua própria imagem, e reconstruí-la.

Não dá mais para ser vilão de novela.

kicker: Incorporadores não são especuladores, são agentes do crescimento. Essa percepção precisa ser estendida à sociedade

Fonte: Gazeta Mercantil 28/08/2008

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