
Helbor é o resultado da fusão das iniciais do nome e do sobrenome de um imigrante russo, nascido na Ucrânia, que escolheu o Brasil para viver e fez de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, sua terra desde que aqui chegou em 1917.
Hélio Borenstein nasceu no dia 17 de outubro de 1900, na cidade de Kiev, filho de Gregório e Malka Borenstein. A família sentia os efeitos nefastos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e da Revolução russa (1917), que determinaria a formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
“É melhor perder meu filho vivo”, dizia dona Malka, ante a possibilidade de ver Hélio morto em combate. Ela preferia que, para viver em paz, o caçula da família fizesse a mais longa viagem de sua vida. Seguindo o exemplo de conterrâneos russos, Borenstein decidiu arriscar seu futuro no Brasil, que naquela época, recebia grandes levas de imigrantes europeus.
Depois de longos dias de viagem a bordo do navio Teotônia, com pouquíssimas economias no bolso, o jovem imigrante desembarcou no Porto do Rio de Janeiro. Tinha como referência no novo País uma família de Jacareí, na parte Paulista do Vale do Paraíba.
A dificuldade com o novo idioma na viagem de trem do Rio para São Paulo fez com que ele só descesse algumas estações adiante de Jacareí, justamente em Mogi das Cruzes, onde acabou se radicando.
No início, Hélio Borenstein foi empregado e morou numa loja de móveis, seu primeiro trabalho no Brasil. Com esforço, depois de algum tempo, trabalhando diuturnamente, juntou dinheiro e passou a atuar como comerciante, vendendo mercadorias de porta em porta, a pé ou de bicicleta.
Anos mais tarde conheceu Valentina Mello Freire, “Dona Loloya”, filha de tradicional família mogiana e pianista do Teatro Municipal de São Paulo, com quem se casou e teve dois filhos: Henrique e Marcos.
Sua dedicação ao trabalho serviu de exemplo para os filhos e para quem mais compreendesse seu espírito empreendedor no comércio, no setor de serviços e no mercado imobiliário.
Fundou a Casa Hélios, onde vendia móveis, utilidades domésticas e roupas. Em 1936, a loja chegou a ter oito mil clientes cadastrados, que faziam suas compras a prazo, controladas a mão por caderneta, já que naquele tempo época não havia computador.
Na mesma época, passou a investir em imóveis projetando e empreendendo dezenas de pequenas construções assobradadas no centro de Mogi das Cruzes (loja no térreo e residência na parte superior) ou térreas (loja na frente e residência nos fundos).
Outro empreendimento que se tornou referência na Mogi das Cruzes dos anos 50 e 60 foi o conjunto com 72 casas, sobrados e lojas comerciais, até hoje conhecido como Vila Hélio, que Borenstein ergueu em 11 meses, mesmo sem dispor dos recursos tecnológicos dos dias atuais.
Hélio Borenstein deu outras importantes contribuições para o desenvolvimento de Mogi das Cruzes. Tendo como sócio o sogro, Capitão Joaquim de Mello Freire, o “Capitão Quinzinho”, dirigiu a Cinematográfica Mello Freire & Borenstein, proprietária de uma rede de cinemas na cidade.
Visionário, Borenstein teve a iniciativa de construir em Mogi e manter por várias décadas o Cine Urupema, com 3.600 lugares, que chegou a ser o maior cinema do País, nos anos 50. Naquele período, filmes como “E o Vento Levou” com Clark Gable e “Cantando na chuva” com Gene Kelly, arrastavam multidões às salas de exibição no Brasil.
Hélio Borenstein foi sócio-fundador das Lojas Belver, magazine que abastecia o Alto Tietê, além de cidades do Vale do Paraíba e do Litoral Norte com utensílios, móveis, roupas e os primeiros eletrodomésticos importados e que, por sua diversidade, era chamado de o “Mappin de Mogi”, a maior loja de departamentos da região.
Fundou a COTAC - Comércio de Tratores, Automóveis e Caminhões - concessionária Chevrolet, que vendia caminhões nacionais e automóveis importados, e as primeiras geladeiras Frigidarie.
Foi também importante colaborador em projetos sociais desenvolvidos por entidades assistenciais de Mogi das Cruzes, como a Liga Humanitária, a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Mãe Pobre, além de um dos fundadores e mantenedor da Orquestra Sinfônica Eutherpe Mogiana.
Hélio Borenstein faleceu em 1964 e não viu a Helbor nascer. Seu exemplo de coragem e determinação, porém, inspira a companhia diariamente, desde a sua fundação em 17 de outubro de 1977.
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